quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

#3 - A fragilidade


A fragilidade dá sempre um toque de beleza a uma pessoa. Uma certa aura. Um ar frágil e um olhar triste e as atenções estão chamadas. Corações ao descoberto, são como mausoléus: por fora a grandiosidade, por dentro o negrume. Mãos são dadas, sorrisos são mostrados com ingenuidade. As bocas, as línguas, os braços, os corpos fundem-se numa nova forma. O que é que poderia correr mal? Eu não me sinto.
É assim que eu sou: não me sinto. Eu na fragilidade vejo uma estátua de vidro. Com toda a sua maravilha e luz e com um pequeno empurrão cai ao chão, e os cacos ferem a pele. Eu na fragilidade vejo sangue. É assim que eu sou.
Eu sinto o cair dos anjos. Eu sou a justiça dos homens. Eu sou a fé na razão e o temor a Deus. Eu defino-me por reticências e concluo-me sem ponto final. Eu sou tudo, e de tudo aquilo que sou ainda nada foi visto. De tudo aquilo que sou tudo foi prometido.

De tudo aquilo que faço parecer ou digo ser: eu não sou. Sou uma mentira ambulante e sofro pelos pecados ainda por cometer. Sou uma solução sem qualquer sentido prático. E a minha existência não é mais do que as palavras que a minha voz não profere.

Eu sou a fragilidade.

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