As palavras encarreiravam-se com a perfeição de quem escreve o próprio tempo. O Homem sorriu e dormiu em paz, sabendo que chegara onde sempre ansiou chegar: eternamente.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
#7 - novos (a)mares
hoje imaginei-me a velejar por mares que nunca vi
a forças das águas que me atravessam
navegam-me para um estado neutro
nem meio vivo nem meio morto
este corpo é conduzido a bom porto
e transpira tranquilidade
eu sou apenas eu
imagino-me sentado naquela cadeira do alpendre
naquela velha casa à beira mar
a calmaria das ondas embala-me o pesar
de outros tempos e de outra vida
uma tristeza que já não é minha
nem recente nem antiga
eu sou de novo
imagino o vento a passar-me pelos cabelos
leve brisa de leves memórias
desconscializo-me de tudo o que fui
não há dor nem rancor aqui
não há falta nem fartura
o equilíbrio é auto-suficiente
há vida aqui
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Que lindo. Especialmente estes versos:
ResponderEliminar«imagino-me sentado naquela cadeira do alpendre
naquela velha casa à beira mar
a calmaria das ondas embala-me o pesar
de outros tempos e de outra vida»