As palavras encarreiravam-se com a perfeição de quem escreve o próprio tempo. O Homem sorriu e dormiu em paz, sabendo que chegara onde sempre ansiou chegar: eternamente.
sábado, 23 de março de 2013
#8 - A Casa
isto - a casa, os móveis, as coisas
que acumulam pó - são agora
apenas o que resta de mim
tu és a réstia de luz, aquela que
passa por baixo da janela
que teima em não fechar
como a idade que nos põe tortos
com a vida - a janela
numa bandeja de sarcasmos
entulham-se memórias e cobertores
fotografias e nódoas de café
a velha casa e as suas paredes
fendas que eu vi aparecerem e estenderem-se
como as raízes do próprio tempo
esta casa é a testemunha do tempo
que passou, das palavras que se disseram
das promessas em vão
eles dizem - eles sempre disseram
tanto - que nada se passa em
vão. mas olhando estes móveis,
a água que corre fria, a tv
que há anos que não funciona
o sofá com um pé partido
talvez a velhice seja em vão.
sentado nesta poltrona de cálice
na mão - eu agora vejo
tudo retorna à casa, porque lá fora
há barulho e a vida corre
mas é aqui que os anjos vêm para morrer
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SUBLIME! Vou partilhar! Tenho de!
ResponderEliminarOh muito agradecido dona Patricia ;)
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