Não é pela fúria dos seus traços
nem pela entrega no seu olhar
que as mágoas do Homem são
destiladas
É aqui, de coração aberto e despojado
de remorso e de virtude
que a expiação dos pecados é feita,
numa mesa de trabalhos
suja, gasta, vivida
entre amontoados de projetos por acabar
Golpe por golpe
lágrima por lágrima,
a obra ganha formas
O Homem
agora feito por defeito deus feito de carne
e osso e sangue (que seja derramado)
senhor e mestre do seu destino,
joga uma nova carta sobre a mesa
É um momento de criação
pura, tão simples e pura
ao ponto de fazer as mãos tremer
Fecham-se as janelas e trancam-se as portas
apagam-se as luzes
fecham-se os olhos e calam-se as vozes
para que todos possam parar e contemplar
a invenção da solidão
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