esqueço-me pelas ruas despidas
da cidade. que sou feito de terra
húmida. que sinto e que sangro
quando me dou. esqueço as cores
as tuas e as minhas, nossas
recreios de lembranças em tons
de cinzento. ecos ocos perdidos
entre os fios dourados do teu cabelo
entrego-me à rouquidão da noite
ao desvario e ás banalidades
e perco os sentidos
escuro
entrego-me à escuridão do quarto
o sabor amargo que me sobe
pela garganta é a renegação
do próprio corpo à realidade
sangro pela segunda vez
pelo vidro grosso da garrafa
vazia. vejo um reflexo distante
ou uma memória talvez não tão
distante. a visão turva distrai-me
o pensamento que não é claro
ecos ocos ecos ocos ecos ocos
a fantasia é parte integrante
dos cacos de um coração partido
sou a beladona que anseia por
liberdade. rio, danço e caio
redonda e morta no chão
escuro
despidos todos os fatos e postas
as máscaras de lado. sou apenas
o corpo que preenche o teu vazio
e não sou nada além da tua falta
sangro não pela última vez
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